Quando falamos aos alunos que a atividade avaliativa consiste na interpretação de um texto, é um pânico geral. Ninguém sabe interpretar, dizem eles. Isto não é verdade, todos nós sabemos interpretar. É uma atividade inata ao ser humano. O que acontece na maioria das vezes ao ler um texto é a tentativa de achar que se pode dá qualquer interpretação, que também não deixa de ser um equívoco. Devemos, portanto, ler o explicito e o implícito e tirar conclusões a partir da leitura. Porém, não se pode negar que surgem interpretações de um único texto tão inusitadas que o autor daria rizada ao ler. Gostaria que o senhor Camões, com todo o seu espirito poético, tivesse lido o texto dessa vestibulanda, no mínimo ficaria desconcertado.
“O vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de Camões: 'Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, dor que desatina sem doer '.Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:”
| “Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia, tomavas uns antipiréticos, uns quantos analgésicos e Prozac para a depressão. Compravas um computador, consultavas a Internet e descobririas que essas dores que sentias, esses calores que te abrasavam, essas mudanças de humor repentinas, esses desatinos sem nexo, não eram feridas de amor, mas somente falta de sexo!” “A Vestibulanda ganhou nota DEZ, pela originalidade, pela estruturação dos versos, e das rimas insinuantes. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era apenas falta de mulher.” De fato, o texto só ganha sentido após sua leitura. |
É verdade Paulo! Os textos nos dizem muito. Para se fazer uma boa interpretação basta sermos coerentes e originais, assim como esta aluna foi.
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