De acordo com
Masetto (2007, p.143) “num processo de aprendizagem o uso de tecnologias
evidentemente também se alterará”. Como o processo de aprendizagem abrange o
desenvolvimento intelectual, afetivo, o desenvolvimento de competências e de
atitudes, pode-se deduzir que a tecnologia a ser usada deverá ser variada e
adequada a esses objetivos.
A tecnologia educacional possui uma
estreita relação com a alfabetização tecnológica, e que os principais cenários
onde as mesmas atuam referem-se à escola e a sociedade, como muito bem é
colocado pelo autor, afinal de contas não há ambiente melhor para a realização
desse debate que o meio educacional e o meio social, onde atuam nossas crianças
e profissionais da educação e a sociedade em geral.
A escola como principal meio de formação
das crianças e dos jovens, que serão os representantes da sociedade no futuro,
tem como dever agregar ao seu cotidiano o aprendizado tecnológico, pois na
sociedade atual em que vivemos a tecnologia, se usada de forma positiva, pode
ser um grande instrumento de aprendizagem e formação intelectual e critica do
individuo. Mas a tecnologia só resolverá os problemas do mundo se for posta a
serviço da humanidade, e não usada apenas para aumentar o poder de alguns
grupos e nações.
Embora se perceba a importância de
relacionar o meio escolar com aprendizado tecnológico, esse assunto ainda
desperta muitos questionamentos, como por exemplo, o modo de preparar os
docentes pedagogicamente para desempenhar um papel atuante junto aos alunos
sobre esse tema. A tentativa de implantação da tecnologia educacional não é uma
discussão implantada recentemente no Brasil, essa discussão já vem sendo
travada desde os anos 60 aqui no Brasil, mas nesse período, a tecnologia
educacional estava fortemente ligada ao tecnicismo, cujo principal objetivo era
apenas formar mão-de-obra qualificada para ser inserido no mercado de trabalho.
De acordo com Tajra
(2000) no inicio da introdução dos recursos tecnológicos na área educacional,
houve uma tendência a imaginar que as tecnologias iriam solucionar os problemas
educacionais, podendo chegar, inclusive a substituir os próprios professores.
No entanto, com o passar do tempo, percebeu-se a possibilidade de utilizar
esses instrumentos para sistematizar os processos e a organização educacional e
uma reestruturação do papel do professor.
A partir dos anos 80 com o advento da
abertura política e democrática em vários setores, inclusive o educacional,
começa-se a partir de então a produção de trabalhos de cunhos mais critico na
área educacional referente à realidade que estamos inseridos.
A tecnologia educacional também não
ficou de fora desse novo contexto, assim como as outras áreas esta também
sofreu um aprimoramento nas questões referentes à utilização da tecnologia na
área educacional. Debate-se que a tecnologia educacional deve está pautada a atender e entender os problemas tidos
na realidade das pessoas, colocando em um ponto de análise crítica e fazendo
isso juntamente com a metodologia educacional implantada no meio escolar,
objetivando com esses métodos proporcionar uma vida melhor e provocar mudanças
positivas na realidade das pessoas através da educação.
O debate apresentado hoje com relação ao
tema tecnologia da educação gira em torno de um discurso que busque
principalmente adequar as necessidades do individuo dentro de um cenário que
está inserido na era da informação ligando esse cenário com a educação.
Percebe-se de maneira clara e objetiva
que os estudos realizados dentro do campo de conhecimento da tecnologia
educacional, têm por principal objetivo gerar uma relação direta, recíproca e
positiva entre a tecnologia e a escola, como principal meio educacional,
visando desenvolver um caráter preparatório dos alunos dentro do contexto das
novas tecnologias. É importante ressaltar que não é válido apenas que os alunos
aprendam a utilizar essas novas tecnologias, mais que os utilize de forma
racional e crítica (MASETTO, 2007).
Almeida (2008, p.19) afirma que a
inserção da tecnologia dentro das escolas possibilita ao aluno a construção de
um senso crítico junto a essas tecnologias, impedindo-o dessa forma, que se
torne um mero usuário dos instrumentos tecnológicos, ou seja, que o aprendizado
deixe de acontecer de forma crítica e reflexiva, permitindo que o mesmo se
torne um alienado. No entanto, isso só poderá ser feito se houver também um bom
preparo dos docentes, no sentido de ensinar os alunos o porquê de utilizar e
como utilizar a tecnologia educacional.
É importante destacar que não basta simplesmente
inserir, sem critérios, os recursos tecnológicos no dia-a-dia da sala de aula,
os alunos não determinarão a ação, pois a maneira como esta inserção é feita
influencia diretamente no bom aproveitamento de professor e aluno, de tais recursos.
Simplesmente mostrar um filme aos alunos não fará muita diferença.
Paulo Santiago de Sousa
REFERÊNCIAS
ALMEIDA,
M. E. de. Educação, ambientes virtuais e
interatividade. In: SILVA, M. (Org.). Educação Online. São Paulo: Loyola, 2003.
MASETTO, Marcos Tarciso. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia.
In: MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas
tecnologias e mediação pedagógica. 13. ed. Campinas, SP: Papirus, 2007,
p.133-173.
TAJRA, S. F. Informática na educação: novas ferramentas
pedagógicas para o professor da atualidade. São Paulo: Érica, 2000.