Paulo Santiago de Sousa
Este espaço tem por objetivo compartilhar trabalhos, análises e reflexões sobre o Ensino de Língua Portuguesa, Linguística, Literatura e Informática na Educação.
segunda-feira, 9 de junho de 2025
Paulo Santiago de Sousa
Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (UNESP/FCLAR); Mestre em Linguagens e Saberes na Amazônia (UFPA), área de concentração Leitura e Tradução Cultural; Especialista em Letras (Ensino Aprendizagem de Língua Portuguesa e suas Literaturas (UFPA) e em Cultura Teológica (Universidade Católica Dom Bosco); Licenciado em Letras (UFPA) (Habilitação em Língua Portuguesa); Licenciado em Computação (UFRA), Licenciado em Letras (Habilitação em Língua Portuguesa e Inglesa - Claretiano Centro Universitário). Tem interesse por pesquisas na área de Linguística, especialmente em Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, Terminografia, Socioterminologia, Terminologia Cultural e Sociolinguística. Foi professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental no município de Tracuateua-PA, no período de 2009 a 2018. E professor substituto de Linguística e Língua Portuguesa na UFPA, Câmpus de Bragança de 11/2021 a 11/2023. Atualmente leciona Língua Inglesa e Ensino Religioso no município de Tracuateua-PA.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
O ensino da língua culta x ensino da variedade linguística
O ensino da língua culta x
ensino da variedade linguística
Os professores de
língua materna vivem um dilema constante: ensinar a língua culta ou pautar o
ensino na análise das variedades linguísticas? Esse questionamento tem
levantado promissoras discussões, às vezes, nem tão amigáveis até mesmo entre
os próprios linguistas. A verdade é que se almeja um direcionamento capaz de
situar o ensino de língua materna e que possa amenizar dúvidas sedimentadas.
Ensinar a língua culta aos alunos parece
consenso entre os professores, porém, como ensinar é que tem provocado
contendas. Se por um lado, o ensino pautado na variedade culta tem suas
vantagens ao aluno, por outro, o que dizer do ensino da variedade respeitada
imposta a alunos que nem tampouco conseguem assimilar competentemente a língua
culta prestigiada socialmente e detentora de um poder ideológico
incontestável.
Outra constatação
é verificável quando se põe em discussão o ensino da língua culta versus o
ensino de outras variedades linguísticas. Diz respeito à situação comunicativa
do aluno: assim como ele pode vergonhar-se em usar, muito deficitariamente, o
que aprendeu do português “culto” em um ambiente social que prestigia esta
variedade, não se encontra também à vontade em forçar naquele e em seu meio
social um nível de língua que de fato não incorporou para o seu repertório
linguístico.
Tornar o aluno
competente nos diversos usos da língua é o caminho a ser trilhado na sala de
aula, todavia, tem-se enfrentado uma dificuldade gigantesca em relação ao
ensino-aprendizagem de português, em se pretender levar o aluno a incorporar
uma outra variedade de língua que não seja aquela à qual vive exposto no seu
dia-a-dia e, isso, recai sobre as metodologias adotadas, ou seja, no como
ensinar.
Muitas
são as metodologias para se trabalhar o ensino aprendizagem de língua materna
do ensino fundamental ao nível superior. E a conclusão mais imediata a que se
pode chegar é a de que os ambientes educacionais não têm conseguido propiciar
ao aluno situações e atividades diversificadas e concretas[1]
que favoreçam a competência linguística para se usar, quando necessário, a
variedade culta-padrão e/ou variedades menos prestigiadas. Foi exatamente
pensando nessa questão que propositalmente optamos em titularizar o subcapítulo
em questão “O ensino da língua culta x ensino da variedade
linguística”, haja vista a maioria dos professores de língua assim conceber tal
prática de ensino. Por isso, não obstante, ouvimos professores se questionando
sobre o que ensinar; ressaltamos que não se trata de ensinar ou a língua culta
ou a variedade linguística, e sim, apoiar-se em metodologias capazes abarcar o
ensino de todas as variedades, pois a língua culta não deixa de ser, outrossim,
uma variedade existente na sociedade.
Em relação ao ensino das variedades não cultas?
Será que estas também não deveriam ser objeto de estudo na sala de aula, tendo
em vista que toda língua é constituída por variedade que, por razões
estritamente linguísticas, equivalem-se?
A intenção de
beneficiar o aluno com o domínio da língua culta, desrespeitando todo cabedal
linguístico que ele faz uso, pode provocar consequências drásticas: ou o aluno
limita seus atos comunicativos ou não adquire habilidades suficientes para se
expressar por meio da variedade que lhe é imposta, tendo em vista a falta de
eficiência no ensino da língua culta (BORTONI-RICARDO, 2005, p. 15). O fato é
que o aluno ainda não vê sua variedade de língua sendo trabalhada com efeito.
Referência
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola , e agora ? Sociolingüística & educação .
São
Paulo : Parábola ,
2005.
[1] Marcuschi (2001) apresenta sugestões metodológicas
interessantes acerca do ensino aprendizagem da variedade culta.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
A LÍNGUA PADRÃO
Conforme o
registro escrito da história dos estudos linguísticos, a padronização da língua
é historicamente delineada pelos seus falantes. Essa padronização é determinada
mediante a realidade cultural, política e social de cada época. Como a
realidade sofre modificação diacronicamente, a tendência é que o que se
considera como forma padrão hoje pode tornar-se não-padrão, e o que é
considerado não-padrão pode ser estabelecido como padrão. A língua, por estar
indissociável à sociedade acompanha esse transcurso, embora tenhamos a ignota
pretensão de mantê-la estática, imutável.
Representada
por um conjunto diversificado de formas linguísticas, ela constitui um dos
elementos formadores e responsáveis pelo desenvolvimento da sociedade e, por
esse motivo, deve atender a todos. E é justamente nesse ponto que se torna
relevante o seu estudo, quando concebido por meio de um prisma sensível e
atento às sutilezas concretas de usos discursivos, de forma que todas as
variedades da língua recebam um tratamento respeitoso, sem a preconização de se
estabelecer unicamente uma variedade dominante, que exerça total supremacia e
seja excepcionalmente a correta, a padrão, até porque nenhum registro
linguístico é uniforme quando usado em situações adversas, mesmo aquele condecorado
pela comunidade dos letrados, o registro padrão ou língua padrão admite
variações em diferentes sentidos.
Forçar as
pessoas a falar e escrever igualmente, tendo como recurso o mesmo padrão de
linguagem, significa ignorar as diversidades de comportamentos linguísticos
existentes em nosso meio, cada um atuando de maneira particular, com o
propósito de atender adequadamente suas necessidades. Daí, não ser recomendável
que se intitule esta ou aquela variação linguística como sendo a língua padrão,
sob o risco de inferiorizar outras formas, que podem ser até mais apropriadas a
determinados contextos.
A língua
padrão na sua gênese é a língua idealizada pelo poder político, econômico e
social. Deseja-se estar no topo da cadeia, justamente no lugar destinado as classes
privilegiadas, detentoras do conhecimento sistematizado, escolarizado, deste
modo intocável, com total credibilidade, referência a todas as pessoas.
Para assegurar o cultivo da
língua padrão vários direcionamentos foram estabelecidos. Um deles é a própria
instituição escolar que trabalha para transmitir e conservar a língua
"correta", “exata”. Os próprios usuários da língua fortalecem outra
frente que luta para apropriar-se a língua padrão, visando atenuar a censura,
discriminação e empecilho à promoção social.
São inegáveis
as vantagens à existência da língua-padrão, porém descrevê-la rigorosamente ou
dizer onde vamos encontrá-la tem ficado cada vez mais escasso. As gramáticas
tradicionais, como já mencionamos, baseiam-se normalmente em exemplos de textos
da literatura clássica, que, muitas vezes, estão distantes do padrão
linguístico real do português Brasileiro até mesmo o escrito . Portanto, se até
mesmo os falantes da norma culta, aqueles que têm acesso às regras gramaticais
padronizadas, incutidas no processo de escolarização, exprimem-se usualmente
contrários a estas regras, podemos, então, considerá-las como norma ou língua
padrão/culta?
Todavia,
justificamos a necessidade do ensino da língua-padrão desde que ela seja
colocada, linguisticamente, como uma variedade igual às outras, mas que usufrui
de um prestígio social diferente por ser a língua do poder político, econômico
e social. Assim, a ênfase nessa diferenciação contribui para que o aluno
perceba nas formas linguísticas o valor intrínseco de cada uma e o tratamento
social que certas variedades adquirem nos estratos das sociedades de cada
período histórico.
sexta-feira, 20 de março de 2015
TECNOLOGIA EDUCACIONAL
De acordo com
Masetto (2007, p.143) “num processo de aprendizagem o uso de tecnologias
evidentemente também se alterará”. Como o processo de aprendizagem abrange o
desenvolvimento intelectual, afetivo, o desenvolvimento de competências e de
atitudes, pode-se deduzir que a tecnologia a ser usada deverá ser variada e
adequada a esses objetivos.
A tecnologia educacional possui uma
estreita relação com a alfabetização tecnológica, e que os principais cenários
onde as mesmas atuam referem-se à escola e a sociedade, como muito bem é
colocado pelo autor, afinal de contas não há ambiente melhor para a realização
desse debate que o meio educacional e o meio social, onde atuam nossas crianças
e profissionais da educação e a sociedade em geral.
A escola como principal meio de formação
das crianças e dos jovens, que serão os representantes da sociedade no futuro,
tem como dever agregar ao seu cotidiano o aprendizado tecnológico, pois na
sociedade atual em que vivemos a tecnologia, se usada de forma positiva, pode
ser um grande instrumento de aprendizagem e formação intelectual e critica do
individuo. Mas a tecnologia só resolverá os problemas do mundo se for posta a
serviço da humanidade, e não usada apenas para aumentar o poder de alguns
grupos e nações.
Embora se perceba a importância de
relacionar o meio escolar com aprendizado tecnológico, esse assunto ainda
desperta muitos questionamentos, como por exemplo, o modo de preparar os
docentes pedagogicamente para desempenhar um papel atuante junto aos alunos
sobre esse tema. A tentativa de implantação da tecnologia educacional não é uma
discussão implantada recentemente no Brasil, essa discussão já vem sendo
travada desde os anos 60 aqui no Brasil, mas nesse período, a tecnologia
educacional estava fortemente ligada ao tecnicismo, cujo principal objetivo era
apenas formar mão-de-obra qualificada para ser inserido no mercado de trabalho.
De acordo com Tajra
(2000) no inicio da introdução dos recursos tecnológicos na área educacional,
houve uma tendência a imaginar que as tecnologias iriam solucionar os problemas
educacionais, podendo chegar, inclusive a substituir os próprios professores.
No entanto, com o passar do tempo, percebeu-se a possibilidade de utilizar
esses instrumentos para sistematizar os processos e a organização educacional e
uma reestruturação do papel do professor.
A partir dos anos 80 com o advento da
abertura política e democrática em vários setores, inclusive o educacional,
começa-se a partir de então a produção de trabalhos de cunhos mais critico na
área educacional referente à realidade que estamos inseridos.
A tecnologia educacional também não
ficou de fora desse novo contexto, assim como as outras áreas esta também
sofreu um aprimoramento nas questões referentes à utilização da tecnologia na
área educacional. Debate-se que a tecnologia educacional deve está pautada a atender e entender os problemas tidos
na realidade das pessoas, colocando em um ponto de análise crítica e fazendo
isso juntamente com a metodologia educacional implantada no meio escolar,
objetivando com esses métodos proporcionar uma vida melhor e provocar mudanças
positivas na realidade das pessoas através da educação.
O debate apresentado hoje com relação ao
tema tecnologia da educação gira em torno de um discurso que busque
principalmente adequar as necessidades do individuo dentro de um cenário que
está inserido na era da informação ligando esse cenário com a educação.
Percebe-se de maneira clara e objetiva
que os estudos realizados dentro do campo de conhecimento da tecnologia
educacional, têm por principal objetivo gerar uma relação direta, recíproca e
positiva entre a tecnologia e a escola, como principal meio educacional,
visando desenvolver um caráter preparatório dos alunos dentro do contexto das
novas tecnologias. É importante ressaltar que não é válido apenas que os alunos
aprendam a utilizar essas novas tecnologias, mais que os utilize de forma
racional e crítica (MASETTO, 2007).
Almeida (2008, p.19) afirma que a
inserção da tecnologia dentro das escolas possibilita ao aluno a construção de
um senso crítico junto a essas tecnologias, impedindo-o dessa forma, que se
torne um mero usuário dos instrumentos tecnológicos, ou seja, que o aprendizado
deixe de acontecer de forma crítica e reflexiva, permitindo que o mesmo se
torne um alienado. No entanto, isso só poderá ser feito se houver também um bom
preparo dos docentes, no sentido de ensinar os alunos o porquê de utilizar e
como utilizar a tecnologia educacional.
É importante destacar que não basta simplesmente
inserir, sem critérios, os recursos tecnológicos no dia-a-dia da sala de aula,
os alunos não determinarão a ação, pois a maneira como esta inserção é feita
influencia diretamente no bom aproveitamento de professor e aluno, de tais recursos.
Simplesmente mostrar um filme aos alunos não fará muita diferença.
Paulo Santiago de Sousa
REFERÊNCIAS
ALMEIDA,
M. E. de. Educação, ambientes virtuais e
interatividade. In: SILVA, M. (Org.). Educação Online. São Paulo: Loyola, 2003.
MASETTO, Marcos Tarciso. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia.
In: MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas
tecnologias e mediação pedagógica. 13. ed. Campinas, SP: Papirus, 2007,
p.133-173.
TAJRA, S. F. Informática na educação: novas ferramentas
pedagógicas para o professor da atualidade. São Paulo: Érica, 2000.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
NORMA CULTA
A norma
culta, em uma definição imediata, é a norma de língua usada pelos falantes mais
escolarizados da língua, aqueles que têm maior proximidade com a modalidade
escrita e, portanto, possuem uma fala mais próxima das regras de tal
modalidade. É a “ensinada” na escola, empregada nos textos oficiais,
científicos e literários.
Todavia,
o caráter pernóstico do adjetivo “culto” pode render pressupostos equivocados,
como oposição a uma norma “inculta”, totalmente desprovida de cultura. A existência
de tal presunção provoca comentários como “fulano não sabe falar português” ou
“fulano é ignorante em português”, desconsiderando que mesmo entre os falantes
mais escolarizados, a língua varia no eixo do estilo em relação aos contextos e
aos níveis de formalidade, ficando cada vez mais distante da norma estipulada
pela gramática.
Intitular
uma norma como culta é estabelecer para um falar a concepção de “certo”,
“correto” e para outros de “errado”, “incorreto”. Bagno (2002, p. 42-43)
polemiza o tema, afirmando que a norma culta carrega consigo um rótulo já
sedimentado na sociedade. “É mais um preconceito do que um conceito
propriamente dito”, de que existe apenas uma forma certa, modelar, de falar um
idioma; justamente aquele encontrado nas obras literárias de renome e nos
tradicionais compêndios gramaticais, sendo, dessa forma, o modelo de língua
prestigiado e idealizado por uma classe minoritária de cidadãos seletos
socioculturalmente.
Em
concordância com Bagno (2002), Antunes (2007, p. 87) instrui que “a designação
de norma culta não é das melhores, do ponto de vista ideológico, pois favorece
a suposição de que aqueles que a adotam é que são cultos, têm cultura”, e essa
concepção causa “efeitos discriminatórios” aos que não dominam tal norma, os
pertencentes às classes sociais com menor acesso, principalmente na educação
formal.
Bortoni-Ricardo
(2004) propõe situações que influenciam a diversidade linguística e nos indica
as relações de classes geradoras das estruturas linguísticas dominantes.
Em toda comunidade
de fala onde convivem falantes de diversas variedades regionais, como é o caso
das grandes metrópoles brasileiras, os falantes que são detentores de maior
poder – e por isso gozam de mais prestígio – transferem esse prestígio para a variedade
linguística que falam. Assim, as variedades faladas pelos grupos de maior poder
político e econômico passam a ser vistas como variedades mais bonitas e até
mais corretas. Mas essas variedades, que ganham prestígio porque são faladas
por grupos de maior poder, nada têm de intrinsecamente superior às demais. (p.
33)
Não
agimos de forma preconceituosa porque tomamos como referência aspectos
intrinsecamente linguísticos. A língua em si não apresenta parâmetros que nos
indique a bipartição “certo e errado”, não é ela que está no cerne da discussão
e sim a importância de seus usuários[1]. É a sociedade
que se baseia em realidades socioculturais favorecidas e cristaliza modelos de
língua exemplar.
A
norma culta não deriva de nada intrínseco ao português. Não há formas ou
construções intrinsecamente erradas ou certas [...] Assim, o certo ou errado
deriva apenas de uma contingência social. Em todas as comunidades sempre se
atribui à determinada classe uma ascendência sobre as demais. A classe de
prestígio dita às normas de comportamento, a moda, o gosto por certo tipo de
música... Assim também a escolha das variedades linguísticas entre as que estão
à disposição dos falantes. Ao escolher uma, essa classe condena as outras
variedades (CASTILHO, 2002, apud Bagno, 2004, p. 185).
Dessa forma, a imposição da chamada norma culta
em detrimento de outras normas, configura a perda da identidade de um
determinado segmento social. Com isso, não se consegue uma compreensão mais
completa dos fatos linguísticos permitidos pelo sistema linguístico. Ao mesmo
tempo, deixar de ministrá-la nas escolas permite impedir o
acesso do aluno a um estrato social considerado superior, assim como seu acesso à
tradição cultural escrita. Num caso e no outro, há prejuízo no desenvolvimento
da competência comunicativa. Portanto, é imprescindível que o aluno compreenda
o maior número possível de normas a fim de obter sua plena integração na comunidade
em que está inserido.
O
cuidado em perpetuar a forma norma culta consiste exatamente no fato de se
impor uma dicotomia: de um lado a norma culta “certa”; do outro, a norma popular ou coloquial “errada”. Pois bem,
todos nós temos cultura, sabemos lidar cotidianamente com as mais diversas
situações sociais e comunicativas. Então, o
porquê da discriminação, somos sim, cultos. Isso é diferente de não ter domínio
de uma variedade linguística.[2]
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